Lunes, 15 de diciembre de 2008

 

 

SEM PALAVRAS OU PEIAS

 

Colosso é palavra que aprendeu tarde,

talvez em Goya, talvez em Sylvia Plath.

E por não tê-la ainda, só e desarmado,

o menino vasculha em vão o vernáculo,

à cata de uma outra com que traduza

aquela demasia de ferro e fuga,

crescida de suas próprias engrenagens,

qual foguete quando no céu se abre.

 

Mesmo próprio, nome muda em enigma:

sem que se rasgue, esgarce ou descosa,

como encaixar nesta míngua de roupa

(que toda se diz numa única sílaba)

um corpo tão farto, plural glossário?

como colocar palavras ou peias

em bicho que no quintal mal se ajeita?

como medir o que de si é o fabro?



Poema  Um dia, o trem
Nankin editorial, Funalfa, 2008.

 

Portal de poesía

 


Tags: Fernando Fábio Fioresse

Publicado por gala2 @ 5:55  | POEMAS
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