SEM PALAVRAS OU PEIAS
Colosso é palavra que aprendeu tarde,
talvez em Goya, talvez em Sylvia Plath.
E por não tê-la ainda, só e desarmado,
o menino vasculha em vão o vernáculo,
à cata de uma outra com que traduza
aquela demasia de ferro e fuga,
crescida de suas próprias engrenagens,
qual foguete quando no céu se abre.
Mesmo próprio, nome muda em enigma:
sem que se rasgue, esgarce ou descosa,
como encaixar nesta míngua de roupa
(que toda se diz numa única sílaba)
um corpo tão farto, plural glossário?
como colocar palavras ou peias
em bicho que no quintal mal se ajeita?
como medir o que de si é o fabro?
Poema Um dia, o trem, Nankin editorial, Funalfa, 2008.
Portal de poesía
Tags: Fernando Fábio Fioresse